“Manchas de óleo são compatíveis com combustível da Venezuela”, afirma especialista

As manchas de óleo encontradas nas praias do Nordeste são compatíveis com o material produzido na Venezuela. Foi o que afirmou na manhã desta quinta-feira, 10, durante coletiva, a diretora do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Olívia Oliveira.

As pesquisas foram realizadas pela Ufba, em parceria com a Universidade de Feira de Santana (Uefs) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS). As análises geoquímicas estão sendo feitas desde a última segunda-feira,7, no Laboratório de Estudos do Petróleo (Lepetro) na Ufba.

“As análises detectaram que podem se tratar de petróleo cru. Pelo tempo que está no mar, as análises foram prejudicadas, por isso não está descartada que pode se tratar de bunker – óleo combustível de navio. A análise foi feita com nove amostras: duas baianas e sete sergipanas. O material é compatível com um dos tipos de combustível produzido na Venezuela. Não há registros na literatura de material semelhante produzido no Brasil”, declara Olívia.

Algumas informações apontam que o material pode chegar em Salvador nesta semana. Sobre esta possibilidade a diretora declarou não ter como responder.

Em todo o litoral do Nordeste, cerca de 130 praias já foram afetadas pelo óleo, que continua sendo investigado pelos pesquisadores. O município de Conde foi o primeiro a ter as amostras coletadas.

Nesta quinta, foram afetadas as praias de Jauá e Arembepe, em Camaçari. Uma operação está sendo montada para limpar as praias que foram atingidas.

“Vamos fazer um panorâmica em todo o litoral, desde Itacimirim até Abrantes. Onde tiver mancha de óleo, a gente vai ter uma equipe treinada e capacitada para fazer o reconhecimento. Vamos armazenar em recipente, depois vai se decidir o destino dele. Mas já estamos montando uma frente, uma mega operação. Vamos estar com toda prefeitura, todos os órgãos para que a gente possa retirar este óleo o quanto antes daqui da praia”, explicou o Coordenador da Defesa Civil de Camaçari, Ivanildo Soares.

A população local ficou assustada com a situação da praia. Morador há 35 anos da Aldeia Hippie de Arembepe, Jarbas de Souza sujou os pés de óleo quando andou na areia.

“Eu moro a 20 minuntos da praia. Esta manhã eu me assustei, lambuzei logo o pé. Estamos todos preocupados em como aconteceu isto e o que fazer para ajudar. Estamos prontos para ajudar, afirmou Jarbas.

 

Fonte: A Tarde