Brasil fora do Conselho de Trump? Governo Lula avalia recusar convite e vê ameaça à ONU

A diplomacia brasileira deve tomar um caminho contrário ao da vizinha Argentina em relação à nova proposta de Donald Trump. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva deverá declinar o convite para integrar o chamado Conselho da Paz, uma organização idealizada pelo ex-presidente americano que, na prática, poderia substituir a Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo informações confirmadas por fontes do governo federal, um relatório interno já recomenda que o Brasil ignore a proposta. A avaliação em Brasília é que o projeto ameaça a existência da própria ONU e mina o multilateralismo, conferindo poderes internacionais desproporcionais a Trump.

A ideia de Trump é criar um organismo onde ele mesmo seria o presidente, com poder de aprovação sobre todas as decisões. Para garantir um assento como membro permanente, os países teriam que desembolsar a quantia de US$ 1 bilhão.

Enquanto o presidente da Argentina, Javier Milei, já se apressou em aceitar o convite, a maioria dos governos mundiais mantém um silêncio cauteloso.

Para o Itamaraty e o Palácio do Planalto, a proposta é problemática por vários motivos:

• Fim do Multilateralismo: A estrutura centraliza o poder nas mãos de Trump (que teria poder de veto único) e ignora o direito internacional, podendo aprofundar desigualdades entre as nações.

• Quem paga, manda: O sistema cria categorias de países baseadas no poder econômico, já que a vaga permanente é comprada.

• Sem negociação: Diferente da criação da ONU em 1945, o tratado de Trump é impositivo: para entrar, o país deve aceitar todos os termos sem discussão.

• Risco Regional: O novo órgão daria liberdade para Trump atuar em qualquer lugar do mundo, o que é visto como uma ameaça à estabilidade e aos interesses do Brasil na América do Sul.

Até o momento, Lula não deu uma resposta oficial. Uma das estratégias consideradas é simplesmente manter o silêncio, apostando que o projeto perca força internacionalmente sem o apoio de grandes players globais.

Por Léo Santos