Comércio em análise: fechamento de grandes lojas em Vitória da Conquista vai além da polêmica da Zona Azul

Recentemente, Vitória da Conquista acompanhou o fechamento de três lojas bastante conhecidas do grande público, o que gerou uma onda de comentários e debates nas redes sociais sobre a saúde do nosso comércio local. No entanto, é necessário olhar para essa situação com responsabilidade e frieza, para não cairmos em conclusões precipitadas ou simplistas.

Ao analisarmos caso a caso, percebemos que a realidade é mais complexa. O supermercado Rondelli, na Avenida Crescêncio Silveira (antigo Supermercado Jequié), é um exemplo claro. Mesmo contando com estacionamento próprio, o que teoricamente facilitaria a vida do cliente, o local sempre apresentou um baixo fluxo de pessoas. A conta entre uma folha de pagamento alta e um movimento reduzido acabou não fechando, e o estabelecimento foi ficando para trás nas mudanças do mercado.

Outra situação é a da Le Biscuit, que enfrenta um problema judicial gigantesco em nível nacional. O fechamento de unidades da rede já era uma possibilidade real há bastante tempo, independentemente de fatores locais de Conquista. A empresa poderia encerrar as atividades a qualquer momento. O mesmo vale para a Lojas Marisa, que chamava atenção de quem passava pelo centro: uma estrutura enorme, mas quase sempre com poucos clientes em seu interior. Manter uma operação desse porte sem o retorno financeiro adequado se tornou insustentável.

Diante disso, não é justo nem correto colocar toda a culpa no comércio local e muito menos eleger a Zona Azul como a única vilã dessa história. É verdade que o sistema de estacionamento rotativo ainda precisa de ajustes e não encontrou seu modelo ideal, mas atribuir a ele a falência de empresas que já vinham “caindo das pernas” financeiramente é irresponsável.

Esses estabelecimentos já enfrentavam dificuldades antigas e davam sinais claros de desgaste. Por isso, é fundamental que a população analise o cenário com cautela, filtrando vídeos e publicações na internet que tentam simplificar problemas complexos apenas para gerar engajamento ou transferir responsabilidades de forma equivocada.

Por Léo Santos