Crise na saúde global: EUA oficializam saída da OMS e corte de verbas provoca demissões em massa

A geopolítica da saúde sofreu um abalo sísmico nesta quinta-feira, dia 22. Cumprindo uma promessa feita ainda em 2025, os Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, deixaram oficialmente a Organização Mundial da Saúde (OMS). A medida, embora já esperada devido à legislação americana que exige aviso prévio de um ano, concretiza-se agora e lança a agência em uma crise orçamentária sem precedentes.

A justificativa de Washington é dura. Segundo um porta-voz do governo, a avaliação é de que a OMS falhou em suas missões principais: conter, gerenciar e compartilhar informações cruciais sobre saúde. Para a Casa Branca, a manutenção do vínculo custou trilhões de dólares aos cofres americanos sem o retorno esperado. O governo defende que a suspensão dos recursos foi uma medida necessária, argumentando que o povo americano já pagou muito mais do que o suficiente para manter uma estrutura que eles classificam agora como um golpe econômico.

O impacto financeiro é imediato e devastador. Os Estados Unidos eram, historicamente, o maior financiador da entidade, responsáveis por cerca de 18% de todo o orçamento. A retirada desse montante já desencadeou uma reestruturação de emergência dentro da organização.

Os reflexos da crise já são visíveis nos corredores da agência. A equipe de gestão foi reduzida pela metade e cortes de orçamento foram aplicados em diversas áreas. A previsão é ainda mais sombria para os próximos meses, com a expectativa de que um quarto de todos os funcionários da OMS seja demitido até meados deste ano, comprometendo a capacidade de atuação do órgão em um momento em que a vigilância sanitária global continua sendo essencial.

Por Léo Santos