
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, voltou a ser alvo de duras críticas ao determinar, na última terça-feira (10), busca e apreensão na casa do jornalista maranhense Luis Pablo. Foram confiscados celulares e notebook do repórter logo após ele denunciar o suposto uso irregular de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) por familiares do também ministro Flávio Dino.
Em uma decisão que ameaça a liberdade de imprensa, Moraes alegou indícios de “crime de perseguição” contra a autoridade e associou o caso ao inquérito das Fake News. Segundo o ministro, o jornalista teria usado “mecanismos estatais” para rastrear os veículos, o que colocaria a segurança de Dino em risco.
Atingindo em cheio o direito ao sigilo da fonte, a medida foi recebida com firmeza pelo repórter: “Confio que ficará demonstrado que o trabalho realizado está amparado pelas garantias constitucionais da liberdade de imprensa”. Ele optou por não dar mais declarações em respeito ao sigilo imposto pelo próprio Moraes à investigação.
Em nota, o STF tentou justificar a ação, afirmando que a investigação foi solicitada pela Polícia Federal no fim de 2025, passou pelo ministro Cristiano Zanin com aval da PGR, e só em fevereiro deste ano foi redistribuída para Moraes.
Enquanto o jornalista tem seus equipamentos de trabalho apreendidos por investigar a máquina pública, os alvos da denúncia preferem se calar. Procurados, o gabinete de Flávio Dino e o TJ-MA se recusaram a comentar o suposto uso das frotas oficiais.
Por Léo Santos




